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Carta aberta ao Ministério da Saúde

Salvador, 22 de agosto de 2019
Ao
Excelentíssimo Senhor Luiz Henrique Mandetta
Ministro de Estado da Saúde
Ref.: AO PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS DO GLAUCOMA PUBLICADO ATRAVÉS DA PORTARIA CONJUNTA Nº 11, DE 02 DE ABRIL DE 2018
Senhor Ministro,
Em 02 de abril de 2018, o Ministério da Saúde aprovou, através da Portaria Conjunta n°11, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Glaucoma, que contém o conceito geral de glaucoma, critérios de diagnóstico, critérios de inclusão e de exclusão, tratamento e mecanismos de regulação, controle e avaliação, de caráter nacional e deve ser utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Nesta portaria o Brasil vai de encontro às últimas orientações mundiais no diagnóstico do glaucoma quando diz: “Não há evidência científica suficiente que embase o uso da tomografia de coerência óptica (OCT) para o acompanhamento dos pacientes com glaucoma”. Acessível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/abril/09/Portaria-Conjunta-n11-PCDT-Glaucoma-29-03-2018.pdf
“Estima-se que a prevalência de glaucoma atinja 79,6 milhões de pessoas em 2020, afetando todos os continentes, mas sobretudo a China e a Índia, que juntas terão aproximadamente 37,8 milhões de pessoas afetadas (com 40% de todos os casos mundiais de glaucoma de ângulo aberto). Globalmente o número de pessoas com glaucoma primário de ângulo aberto em 2020 atingirá os 58,6 milhões e 21 milhões para a variante de ângulo estreito. A cegueira por glaucoma pode atingir os 11 milhões de pessoas em 2020”. (Quiley H and Broman A. The number of people with glaucoma worldwide in 2010 and 2020. British Journal of Ophthalmology. 2006: 262-7).
“Como a prevalência de glaucoma aumenta exponencialmente com a idade, esta patologia torna-se uma questão de saúde pública à medida que as populações envelhecem. Em todos os países esta doença está subdiagnosticada, chegando a não haver um diagnóstico em 90% dos afetados em países em desenvolvimento”.
(Schacknow P and Samples J. The Glaucoma Book – A Practical, Evidence-Based Approach to Patient Care.
Springer, 2010.). Por outro lado, a acurácia diagnóstica pode ser falha quando se utilizam os conceitos e exames disponíveis atualmente. Nos Estados Unidos, estima-se que até 50% dos casos diagnosticados não correspondem a doenças reais, o que evidencia um super tratamento. (The unique problem of glaucoma: Under-diagnosis and over-treatment. Indian J Ophthalmol. 2011 Jan; 59(Suppl1): S1–S2); este fato se repete em muitos países como o Brasil, provocando um grande desperdício de recursos financeiros, seja do governo, seja das pessoas físicas.
O OCT é um exame indolor que se realiza em oftalmologia e que nos permite estudar a retina (segmento posterior) e o segmento anterior do olho nomeadamente a córnea, a câmara anterior, a íris e o cristalino, efetuando para o efeito diversos cortes seccionais da estrutura a estudar. No exame de O OCT são produzida imagens que nos permite observar as diferentes “camadas” dos tecidos estudados, possibilitando, desta forma, efetuar uma espécie de “cortes” que nos permitem visualizar as estruturas a estudar: revelando as estruturas da retina, do disco ótico e as várias estruturas do segmento anterior do olho.
No exame de OCT enxergamos facilmente o fechamento do seio camerular. Sendo assim, nos momentos de fechamento, a pressão intraocular superaria a pressão sanguínea a nível ocular; por consequência, a irrigação sanguínea seria prejudicada, sendo esta, em última análise, a causa da morte celular progressiva do glaucoma. Isto poderia explicar inúmeros casos de glaucoma de pressão normal. Apenas a realização dos exames complementares citados na Portaria: gonioscopia, paquimetria e campimetria, pode ser muito menos
acertiva comparada à realização periódica de OCT e a Análise de Progressão, que compara os exames de OCT e imprime a evolução da perda da camada de fibras nervosas da retina. O OCT por ser um exame de imagem, objetivo, possibilita o diagnóstico antecipado do glaucoma, comparado com a Campimetria, que só revela a perda por glaucoma, quando 70% das células nervosas da retina. Como é sabido, essas células perdidas não são mais recuperáveis.
Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar o número de novos cegos por glaucoma é a utilização de OCT como padrão ouro no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com Glaucoma. Tal como é citado no 10° Consenso Mundial
de Glaucoma:
“Although optic disc photography is effective to detect glaucomatous optic disc damage, imaging technologies including optical coherence tomography (OCT), confocal scanning laser ophthalmoscopy (CSLO) and scanning laser polarimetry (SLP) have afforded a more objective and quantitative approach to detect and monitor glaucoma”
Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A UTILIZAÇÃO IMEDIATA DO OCT COMO EXAME COMPLEMENTAR PARA O DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO DE PACIENTES COM GLAUCOMA. JÁ!
A CRESCENTE DA CEGUEIRA POR GLAUCOMA TEM QUE SER PARADA!
Dr. Honassys R Rocha Silva
CRM 13076 – BA
Av Sete de Setembro, 562, Centro – Salvador/Bahia
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